“Comboio da Beira Baixa”

Perder O Comboio

Perder o comboio.

População Exige Uso da Velha Estação

NUNO PASSOS

A Coligação Juntos por Tadim, em Braga, está revoltada por o presidente da Junta ter recentemente considerado o edifício secular da estação ferroviária “um cancro”, pois não se lhe deu ainda outro uso após a modernização, em 2002.

Para a oposição, equiparar o imóvel a uma doença terrível “desrespeita” a história, cultura e património local, além dos ferroviários do país. A Junta responde que está a “negociar uma solução” com a Refer, Câmara de Braga e a secretária de Estado dos Transportes, Ana Paula Vitorino, “também prometeu ajudar”.

“Temos comboio há 134 anos. Está no brasão e em destaque no site da Junta. O presidente está a dar um tiro no pé”, critica o dirigente Carlos Lopes . A indignação popular convenceu a Refer a não demolir a velha casa de passageiros. Mas após sete anos e duas recandidaturas, a Junta “nada fez”, insiste Lopes, quando podia libertar o espaço para associações de jovens, bombeiros, escuteiros, clube de BTT ou um restaurante.

Em carta aberta dá exemplos de reutilizações nacionais idênticas (ver caixa), feitas por privados, colectividades e autarquias, que “também têm obrigação, compete-lhes zelar o património colectivo”. E, não tendo uso material, a valência “tem uso simbólico, pode ser vista todos os dias por milhares” de utentes do ramal.

O presidente da Junta, José Manuel Cunha, defende por seu turno que a estrutura de Tadim pode servir para a delegação de bombeiros ou, então, para sede para quatro, cinco micro-empresas.

“A nossa luta sempre foi dar uso e evitar a degradação da estação, que está um pouco isolada e precisa de vida, de ser ocupada. Mas exige ponderação e o aprofundar do envolvimento da Refer, da Câmara e do Governo”, sustentou. Na verdade, o executivo sensibilizou a GNR de Ruilhe para patrulhar a zona regularmente, evitando actos de vandalismo, delinquência juvenil, toxicodependência e mais paredes grafitadas.

A coligação realça que foi o tadinense Luís Braga da Cruz a pedir em 1872 a paragem intermédia no ramal de Braga, logo um legado da História, e que a estação é única entre as 500 portuguesas – como faltou dinheiro não se fez os dois anexos laterais ao corpo principal.

Em Julho passado, 200 moradores do lugar da Estação, nascidos ou na diáspora, fizeram ali um “convívio memorável”. Além disso, a monografia da freguesia, pedida pela Junta a Eduardo Pires de Oliveira, “mostra ilustres, a estação e as indústrias que durante décadas viveram e cresceram por causa do comboio”.

Escute, Olhe…

“Temos Ali Um Cancro”

tadimneve
© Dario Silva, 09-01-2009. Neve na Estação de Tadim.

Tadim, 47 km a montante de Porto Campanhã, é um ponto da recta imaginária que liga Porto a Braga, logo realidade indissociável tanto do Porto como de Braga. A Linha do Minho e o Ramal de Braga são uma das consubstanciações físicas de uma rede perceptível de ligações afectivas, de fluxos, tanto de gentes como de ideias, que queremos cada vez mais forte.

“Temos Ali Um Cancro” Ou Carta Aberta à Junta de Freguesia de Tadim
Foi mais ou menos com estas palavras, e sem conseguir fugir ao sentido mais negro e temerário que as mesmas conseguem transmitir, que José Manuel Cunha, presidente da Junta de Freguesia de Tadim, se referiu recentemente à secular estação ferroviária da freguesia a que preside há 24 anos.

O feito aconteceu no passado dia 8 de Outubro num comício da campanha eleitoral, dias antes da sua reeleição para mais um mandato à frente da instituição que melhor representa os interesses e vontades e riquezas da freguesia.

Pese embora eu não ter estado presente nesse comício, assumo que o presidente da Junta (re-candidato) se estivesse a referir concretamente ao Edifício de Passageiros (EP) da estação ferroviária que serve a terra desde 1875. Portanto, 134 ao serviço de Tadim e do Vale d’Este.

Ao referir-se àquele edifício nestes termos, José Manuel Cunha não deve estar ciente – ainda – do valor efectivo, afectivo e patrimonial da nossa estação. Eu explico.

Nos idos de 1872, quando se iniciou a construção do Ramal de Braga (e a odisseia ferroviária a norte do Douro), não se ponderava a construção de nenhuma paragem intermédia. Quando os comboios começaram a passar, já em 1875, Tadim tinha uma estação ferroviária. Reza a história que um ilustre tadinense de então – Luís Braga da Cruz – intercedeu positivamente para que a sua terra fosse servida pelo comboio. Assim, é de justiça dizer-se que aquela estação, aquele singelo edifício, é também um património conquistado e legado por um homem da terra, um tadinense.

E reza também a história que não havia muito dinheiro para construir a estação de Tadim pelo que só conseguiram dela erigir o corpo principal, sem os dois anexos laterais, elemento comum nas estações Minho e Douro. Consequência? – o EP da estação de Tadim é único em Portugal e Portugal já teve 500 estações… não há nenhuma como a nossa.

Décadas passaram e a estação continuava ao serviço dos tadinenses. Quem nos preside há 24 anos devia saber isso porque a meritória monografia sobre Tadim assinada por Eduardo Pires de Oliveira tem a chancela dessa Junta de Freguesia. Como tal, assumo que tenha lido um trabalho que legitimamente edita. Na obra fala-se de pessoas ilustres e da estação, das indústrias que, durante décadas, viveram e cresceram por causa do comboio, amigo dos tadinenses.

Outras décadas passaram e em Julho deste ano 200 tadineses, aqui nascidos ou na diáspora, realizaram em Tadim um convívio dos “moradores do Lugar da Estação”. Foi memorável.

Assim como parece ter sido memorável o recente passeio-convívio promovido por esta Junta de Freguesia que levou 150 pessoas de Tadim a Aveiro. Embarcaram onde…?

No mesmo comício onde comparou a nossa estação a uma doença temível, José Manuel Cunha, presidente da Junta de Freguesia de Tadim, estaria a recordar-se da posição assumida pelo mesmo executivo quando, ainda em 2002, defendia a não-manutenção daquele edifício porque “aquilo não serve para nada”. Recorda-se?

Mas, sabe, o património não tem que ter uma utilidade material.

“Sempre que desaparece uma referência da nossa memória colectiva algo de profundo morre em nós. Por insignificante que seja, quebra-se um elo da cadeia frágil que nos une. A comunidade a que pertencemos fica mais pobre.” [Miguel Bandeira]

A nossa estação velhinha manteve-se de pé para poder ser contemplada diariamente pelos milhares de pessoas que transitam diariamente nos comboios do nosso caminho de ferro.

Mas como, ao fim de sete anos e aos fim de duas re-candidaturas, esta Junta de Freguesia não conseguiu ainda encontrar qualquer “utilidade” para a estação que não uma de uma doença, tomo a liberdade de partilhar com o seu presidente, e por ordem alfabética, algumas ideias.
- Carreço, Linha do Minho. Sede do Centro Social local. Pode, inclusivé, apanhar-se o comboio.
- Cabeço de Vide, Ramal de Portalegre, restaurante e alojamento.
- Chaves, Linha do Corgo, museu e centro cultural.
- Óbidos, Linha do Oeste, oficina de azulejos. Pode apanhar-se o comboio.
- Lagoaça, Linha do Sabor. Restaurante e alojamento.
- Régua, Linha do Douro, em pleno Património Mundial…
- Ribeiradio, Linha do Vouga, sede da banda de Ribeiradio; o edifício foi ampliado para o efeito.
- São Pedro do Sul, Linha do Vouga, um notável centro de Artes e Sabores.
- Sines, Ramal de Sines. Recomendável restaurante.
- Tâmega (Curalha), Linha do Corgo, habitação e museu.
- Tamel (Aborim), Linha do Minho, sede da Junta de Freguesia. Pode apanhar-se o comboio.
- Torredeita, Linha do Dão. Ecomuseu de Torredeita, junto à escola profissional.
- Úl, Linha do Vouga, restaurante. Pode apanhar-se o comboio.
- Vila Viçosa, Ramal de Vila Viçosa. Para além de ser uma Maravilha local, é também o Museu do Mármore.
- Vilar Formoso, Linha da Beira Alta. Além de se apanhar o comboio para Paris, pode-se jantar no restaurante.

- Vouzela, Linha do Vouga. Actual central de camionagem.

E outros “exemplos”:
- Felgar, Linha do Sabor, foi demolida. Resta a memória.
- Vale de Santarém, a estação vazia ardeu recentemente. Pode apanhar-se o comboio.
- Viseu, Linhas do Vouga e Dão, foi demolida. Resta a memória.

Enquanto munícipe, enquanto tadinense, sei de há muito da sensibilidade para o património desta Junta de Freguesia e do executivo de Mesquita Machado. Desde há décadas, sensibilidade como a de um elefante numa loja de cristais.

Perante o insulto que o senhor presidente da Junta de Freguesia de Tadim dirige ao património da freguesia, lembre-se 297 eleitores não concordam consigo. Um pedido de desculpas público, tanto como foi o comício, favoreceria a democracia em Tadim.

Um abraço do
Dario Silva, tadinense, cidadão português.
Coligação Juntos Por Tadim, sempre.

p.s.: o “cancro” aparece em destaque no site da Junta de Freguesia de Tadim, qual desonra…

Publicado originalmente aqui.

A Linha do Sul

Passar aqui a noite para que outros passem aqui de dia

Passar aqui a noite para que outros passem aqui de dia

Cacém

cacem_out2009

Junto à Linha

corrida

Já vi muitas coisas estranhas junto à Linha.

Espanha, 2009.

A Linha da Lousã

livro

© 2009

Depois Disto


Apanhas o comboio e vais para casa.

A Concordância

ermesinde

© Dario Silva, 09-09-09
A partir de hoje, e pela primeira vez, a Concordância de Sangemil dispõe de serviço comercial de passageiros; por agora, as viagens atingem Leça do Balio e num prazo breve chegarão a Leixões (local que o Metro do Porto identifica como Senhor de Matosinhos).
Prometidos estão alguns apeadeiros/interfaces com a rede de metro e autocarros.
O bilhete mais completo do mundo – o Andante – é válido neste novo eixo ferroviário que coloca o Minho e o Douro muito mais próximos de Matosinhos, Hospital de São João, Efacec, São Mamede de Infesta, Leça do Balio e do Aeroporto de Pedras Rubras.
Nas horas de ponta e almoço circulam dois comboios por sentido; nas horas calmas passa um comboio a cada 60 minutos que, em Ermesinde, se relaciona com os serviços suburbanos de Braga, Guimarães e Marco e com os serviços Regionais, Interregionais e Internacionais do Minho e Douro.

Vão de comboio, são comodistas

Viagem Porto-Braga pela CP fica 87% mais barata do que de carro, em especial para jovens e reformados
00h30m
JOSÉ MIGUEL GASPAR

Passam ali todo os dias, o Hugo e o Sr. Vaz, duas vezes ao dia debaixo daqueles altos alçados decorados com 20 mil azulejos de azul e de branco. Invariavelmente, eles e dezenas deles em todos os minutos ao largo do dia, chegam e param naquele pátio para levantar o nariz.

Ali formiga-se, é uma estação, S. Bento, Porto, chegam e partem pesados comboios e naquele hall passam passos apressados, encarreirados, cruzados, e eles estão ali, de pescoço erguido, a olhar sem ver os azulejos portistas que relatam torneios, coisas de Egas e de D. Henrique (que aqui veio ao Porto para casar com Filipa de Lencastre, foi há 622 anos), nariz no ar à espera que o grande quadro de horários lhe diga a linha em que vão seguir.

Vêm para o Porto e regressam para Braga, todos os dias, os dois, o Hugo e Sr. Vaz, pessoas que apreciam as suas comodidades.

Reformado honrado da indústria têxtil do Vale do Ave, 68 anos, casado há 46 com uma minhotinha, casinha na Cidade dos Arcebispos, o Sr. Vaz viu-se obrigado a vir ao IPO do Porto de segunda a sexta-feira durante três meses. “Ando a tratar um pequeno cancro de próstata que já está quase aviado”, diz ele, alivia-se, dá graças por Deus. De carro gastava pelo menos 12 euros de gasolina e mais seis de portagem; de comboio a ida e a volta fica por 2,20 euros, “para mim é metade que já estou reformado”.

Nunca tinha andado, o Sr. Vaz, um curto cabelo da cor da platina, e logo ficou fã do comboio, ele que passeou toda a vida de carro. “É um deslize, gosto muito, a viagem é alegre, a paisagem variada. Deixa-me sempre relaxado”, diz ele, ainda espantado com o rigor dos carris. “Não dá para acreditar: nunca, nunca, nunca se atrasa”. E sai a sorrir.

Passa por ele e não o vê, vai rápido, Hugo Oliveira, 25 anos, designer, boa pinta, óculos escuros gamados a “Cães danados”. Vai directo: “Carro não compensa, é impossível. Moro em Braga, trabalho no Porto, já viu o que era?”, conta ele, que já viu. “O comboio é 4,40, sim, ida e volta, e o passe 51,50 euros. Nem preciso fazer contas – é para aí 10% do preço”. E vai, o Hugo, um Mr. Blonde a caminho de Braga.

É cómodo, compensa, traz outro atractivo: é severa a nobreza do granito daquela estação, majestosa a fachada, bela arquitectura, gramática de fundo neoclássico tardio, linda, a estação de S. Bento, dourada ao entardecer.

in Jornal de Notícias

Ângulos Mortos

A Redenção

barcarena

A Redenção, à passagem dos comboios e dos passageiros, em Barcarena, Linha de Sintra.

Vende-se Este Comboio

bragacomboio

Viajar de Comboio

Dedicado a Mim!

Sem acento no A.

Sem acento no A. Ponte de São João, Linha do Norte, Agosto de 2009

O Comboio Chega a Miranda do Douro

Finalmente, e é eléctrico e não gasta catenária.

A Linha do Tua

Gabriel, o Pensador

gabriel-na-linha