Ermida (Douro)

“um dos mais belos bilhetes postais ilustrados portugueses. Editado pela Estrela Vermelha, de Carlos Pereira Cardoso, cerca de 1905, representa um cliché belíssimo da Estação Ferroviária da Ermida, com o Rio Douro ao fundo. Exemplar circulado em 1913.” Extraído das dasmargensdorio.blogspot.com

Viagem ao Douro

É a paisagem que mais me deslumbra desde que aprendi a olhar, por influência das experiências e viagens que meus pais me proporcionaram. Associo esta paisagem a vivências rústicas, a uma era de fome e trabalho árduo em que os cestos das vindimas com cinquenta quilogramas eram carregados às costas, a troco de um copo e vinho requentado pelo tórrido Sol de Verão. Foi naquelas redondezas que me maravilhei com a «engenharia pesada» das locomotivas a vapor que, aproveitando as boas características minerais, enchiam seus ventres de água. Ainda guardo memória de ver meu pai atravessar o rio a nado, lutando com bravura contra a forte corrente que o Douro trazia, pela ausência de barragens a jusante. Mas mais do que fonte de contemplação que me é infinitamente agradável, esta paisagem é a porta para uma viagem que não tem fim, dadas as vezes que se quer repetir, aproveitando as maravilhas dos ciclos agrícolas, para aproveitar matizes tão diversos, ora dados por amendoeiras e cerejeiras em flor, ora pelos verdes que ao tempo se vergam e já são cores quentes no Outono.

Subir o Rio a partir da Ermida, obriga-nos a passar por localidades que só servem para retemperarmos a vista e ganharmos outro foco quando as vinhas se vão multiplicando e as simetrias e as curvas nos fazem vergar à imponência de tão rasgadas vistas, num misto de beleza natural e obra humana.

Não acredito ser possível ficar-se indiferente a tão forte monumento que com os olhos apreendemos. Influência de escritores, poetas, artistas, o Douro, é a fresta sensual em que o silêncio dos pontos altos dói de tão intenso, em que as fragas se impõem ao homem e o calor dá estalos de mistério…

Subir o Douro…viagem fascinante tão difícil de contar, quanto captar!…

Em épocas diferentes, entenda-se

Em viatura automóvel, ou afim”

Texto de José Cândido.


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