Estação de Nine

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Muito no início.

Adenda: insiste-se frequentemente na ideia de que “Nine”, o nome da estação e desta freguesia do Vale d’Este pertence ao concelho de Vila Nova de Famalicão, se refere ao numeral “9” em inglês. E isto certamente assente na ideia de que Nine é (foi) a nona estação a contar de Porto Campanhã.
Ainda que tal viesse a ser verdade durante muitas décadas, o nome “Nine” é anterior – muito anterior – à chegada do caminho de ferro.
Facilmente, – para acabar com o mito que, sendo um poema vivo, é um engano, – publico uma imagem d’ “este livro da freguesia de Sta. Maria de Nine”.
Datas: 1668 (?) a 1734 (?)
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Portanto, pelo menos  141 anos antes da inauguração do caminho de ferro a norte do Douro e pelo menos 91 anos da primeira viagem ferroviária, em Inglaterra (1825).

[fontehttp://pesquisa.adb.uminho.pt/viewer?id=1019350]

Nos 160 Anos do Caminho de Ferro em Portugal *

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“Perto do meio dia chegaram SS.MM. em pequeno estado, e tendo-se procedido às bençãos das locomotivas, que foram feitas pelo cardeal patriarcha, e a todo o mais cerimonial, como se determinava no programa, e de que já aí haverá conhecimento, partiu para o Carregado o comboyo real puxado pelas locomotivas Coimbra e Santarém” (…) – 28 de Outubro de 1856.

A Terra revolveu já o Sol 160 vezes desde a primeira viagem de comboio em Portugal.
Era Terça-feira e principiava uma nova forma de viação, para já até ao Carregado; depois, sobretudo enquanto durasse monarquia, e sobretudo até 1949, o comboio haveria também de chegar a Monção (não chegou a Melgaço), a Braga (não chegou ao Gerês), à Póvoa de Varzim (e dali não mais para Norte), a Fafe (não continuaria até Chaves), ao Arco de Baúlhe (40 anos depois de derivar da Linha do Douro), a Chaves (não chegaria à fronteira), a Bragança (também não chegaria à fronteira), a Duas Igrejas(não chegaria, afinal, a Miranda do Douro), a Barca d’Alva (por onde passaram muitos comboios para Madrid e outras partes do mundo). Chegaria também à Régua mas, para sul, não subiria nunca a Lamego ou a Viseu (a Viseu chegaria desde Santa Comba-Dão ou Espinho e Aveiro). Nem do Pocinho subiria, afinal, a Foz-Côa ou Vila Franca das Naves.
Da Figueira da Foz chegaria à Guarda-Gare e Vilar Formoso (um povoado insignificante à época). Chegou à Lousã e a Serpins (Arganil é que não). Chegou a Tomar, não chegou a Seia. Chegou a Sintra e a Cascais (até criou “a linha”).
Chegou à Beirã, a quilómetros escassos de Marvão. A Elvas e a Badajoz.
A Beja, a Évora, a Moura, a Mora (e dali não chegou ao Ribatejo), a Reguengos de Monsaraz, a Vila Viçosa desde Estremoz. À Funcheira. A Alvalade do Sado e Sines, Aljustrel, a Faro, à foz do Guadiana em Vila Real de Santo António, a Lagos, depois de passar também na Baixa da Banheira, Valdera, Grândola e Canal Caveira.

E em 1875 chegou a Nine, no caminho para Braga. Em Couto de Cambeses começaria a parar lá por volta de 1915, dizia o meu avô materno cujo pai fora contemporâneo da chegada da “máquina preta” que, dizia o povo, “matava o povo até certa distância“.
Entre Nine e Couto de Cambeses havia raposas que atravessavam a linha, lembro-me eu.
Havia também a casa dos avós paternos. Era tudo junto à linha.

Meu pai surge naquela fotografia que um japonês captou na Avenida da França (no Porto) em 1975, no ano em que o meu pai entrou para a CP, e 100 anos depois de o comboio começar a circular a norte do rio Douro. Seria assim nos próximos 35 anos, o meu pai em cima dos carris, ele e muitas pessoas.
Também por isto, o 28 de Outubro deveria ser o Dia do Ferroviário e do Caminho de Ferro.
Obrigado.

* publicado originalmente aqui

100 Anos da Estação de Porto São Bento *


* Projectada pelo arquitecto portuense José Marques da Silva, em 1899, e decorada com azulejos do pintor Jorge Colaço, a Estação de Porto São Bento ou Estação Central, é uma obra ímpar em património azulejar, uma das mais bonitas estações ferroviárias do mundo.
O primeiro projecto para a construção da estação é apresentado em 1887.
A ligação ferroviária entre Campanhã, estação comum às linhas do Norte, Minho e Douro, e o centro da cidade, fez-se em Novembro de 1896, depois de perfurados os fundos da Quinta da China, Monte do Seminário e da Praça da Batalha.
Em 1896, a estação não passava de um edifício provisório, um barracão de madeira.
Em 1899, o arquitecto portuense José Marques da Silva é encarregado de elaborar o projecto definitivo para a Estação de São Bento.
Os trabalhos de construção apenas se iniciaram em 9 de Novembro de 1903.
Em 1905 Jorge Colaço apresenta uma proposta para ornamentação e revestimento do vestíbulo da estação com azulejos.
5 de Outubro de 1916– Inauguração da estação – dupla funcionalidade: Estação e monumento de reforço do centro da cidade como elemento dinamizador da vida portuense.
9 de Maio de 2011 – Concluídos os trabalhos de conservação e restauro dos painéis de azulejos que compõem o vestíbulo da estação.
Agosto de 2011 – revista norte-americana Travel+Leisure elege a Estação de São Bento como uma das catorze mais belas de todo o mundo.

* Monumento Nacional.
** in “Linha do Minho – Estação de Porto São Bento, particularidades de um espaço“, 24 de Maio de 2012, Edição REFER e CP

[Programa comemorativo 2016] – Publicado originalmente aqui.

Cento e Quarenta Anos de Comboio em Caíde

Postal 10×15 cm editado pelo Cais Cultural de Caíde – Associação Albano Moreira da Costa no âmbito dos 140 anos da chegada do caminho de ferro ao ponto mais elevado da Linha do Douro, a 20 de Dezembro de 1875. Fotografia de época de Emílio Biel, paginação de minha autoria.
Disponível junto do editor.